Homens x Indiretas – Uma Equação Duvidosa

Minha mãe sempre dizia que viver é difícil e junto mais ainda. Então quando eu e o namorido resolvemos morar juntos, eu já sabia que as dificuldades viriam, só não sabia como lidar com elas. Na verdade, nenhum de nós dois sabia.

Me lembro que bem no comecinho do nosso relacionamento, em meio a uma conversa despretenciosa, ele me alertou: “Amor, eu não entendo indiretas. Na verdade homem nenhum entende. Então se um dia você quiser algo, por favor me diga diretamente”. Eu ri. E ri porque achei que isso era premissa básica em qualquer relacionamento, mas com o passar do tempo vi que não era tão normal assim…

As cenas que se seguiram a este dia eram quase inacreditáveis: eu parada bem na frente de uma loja, na véspera do meu aniversário, olhando para algum vestido e falando “Nossa, que lindo! Sempre quis um desses…” e certamente o máximo eu ouvia era “Olha que legal, então compra amor!”. Mas ao sair xingando muito no twitter em pensamento, eu podia ver que ele realmente tinha ficado feliz pelo meu achado e não entendia porque raios eu não havia comprado e havia saído bufando. Foi assim que tive certeza de que a palavra indireta não faz parte da vida do meu namorido.

Tentei de diversas outras formas dizer que gostava de algo, todas sem sucesso. No começo fiquei meio revoltada achando grotesco ter que dizer tudo o que queria o tempo todo (que atire a primeira pedra quem não gosta de ser surpreendida), mas aos poucos comecei a aceitar o fato de que éramos diferentes e que precisaríamos aprender a conviver com isso.

Pensei em chamá-lo para a famosa DR e dizer o quanto aquilo me incomodava ou então reclamar que ele era desligado e explicar o quanto isso era ruim para o nosso relacionamento. Pensei nas mais diversas e dramáticas argumentações que inevitavelmente o ofenderiam e achei , ao menos por um instante, que seria justo magoá-lo, já que ele havia me magoado com sua “falta de sensibilidade”. Mas me lembrei de Provérbios 14:1 que diz “Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos” e orei pedindo a Deus que me ajudasse a encontrar um meio de passar por aquela situação sem magoar ninguém. Orei pedindo uma direção e me vieram em mente os seguintes questionamentos: por que não falar exatamente o que desejo? Qual a diferença entre a maneira indireta e a direta? Minha finalidade era conseguir o que estava sugerindo ou provar para mim mesma que meu namorido faria o que eu desejasse? Qual era afinal a minha motivação ao dar uma indireta? E comecei a compreender que não havia nada demais em partilhar minhas vontades com a pessoa que escolhi para partilhar minha vida.

Um belo dia experimentei dizer claramente que queria tomar um sorvete e ver um determinado filme. Ele topou na hora e percebi que desta maneira faríamos coisas legais juntos. Testei até uma ou outra indireta para ver se ele tinha mudado, mas não, percebi quem havia mudado era eu. (diga-se de passagem, percebi porque ele não captou a indireta…rs)

Daquele dia em diante, passei a externar minhas vontades e percebi tive muito mais sucesso. “Amor, quero tomar sorvete, vamos?” ou “Amor, vou no shopping tomar sorvete, quer ir também?” funcionam absurdamente melhor do que “Hum…estou com uma vontade de tomar sorvete.” É impressionante como funciona!

Ainda tenho diversas amigas casadas que vivem reclamando de seus maridos “insensíveis”, mas hoje compreendo que se eles não fazem as coisas, é porque muitas vezes elas não são claras o suficiente! E confesso também que já me posiciono do lado deles: amigas, falem diretamente o que vocês sentem ou desejam…é mais saudável para o seu relacionamento e para você, acredite!

Beijo grande e sucesso no seu relacionamento mais transparente e feliz!